segunda-feira, 18 de julho de 2005

tá morto

onde vamos parar?, questiono.
chegamos de minas por volta das 22h. esvaziamos o carro: malas, apetrechos, bolsas, celulares e carteiras dentro de casa.
organizava mais ou menos as coisas quando o inesperado fez galo e abriu ferida na testa do meu irmão, que foi tirar o carro da frente do portão para não travar a saída dos demais que já estavam na garagem.
ele terminava de estacionar do outro lado da rua quando surgiu um peugeot 206, prata. desceu rapidamente um homem com revólver em punho.
- vamô lá, passa a grana, dinheiro, dinheiro, disse o cara aos berros.
meu irmão, com todo equilíbrio de um carateca faixa preta, apenas levantou as mãos para cima e disse a verdade.
- não tenho nada aqui.
- tá morto, disse o cara sem gaguejo, que olhou dentro do carro e abriu o porta-mala. nada de nada. tudo vazio. ainda assim insistiu.
- vamô lá, dinheiro, dinheiro.
- não minto, já disse que não tenho.
- então passa o celular.
- não tenho nada!!!

- dá o relógio.
tirou e entregou. o cara bateu com tudo o cano do revólver na testa dele. e repetiu.
- tá morto.
meu irmão disse enfaticamente.
- leva o carro, toma, leva o carro.
um honda civic preto, automático, etc, nada demais. passou o chaveiro. mas o cara não roubou o carro. entrou no peugeot, com mais dois dentro, e foi embora. tudo em questão de segundos.
episódio narrado para a polícia, que veio em menos de cinco minutos. já estavam à busca dos caras: 'dois negros e um pardo. vamos encontrar os elementos'.
o honda continua na rua. meu irmão já ronca dentro de casa. minha irmã também dorme. boletim de ocorrência feito. no chaveiro entregue ao bandido, a chave do carro e todas que imaginar da casa.
cadeados dos portões trocados e uma das fechaduras da porta de entrada também. amanhã corro para resolver o resto. só não foi possível ainda trocar o susto pelo sono. a ferida parece ter passado pra minha testa. tingiu como tatuagem.
há um mês tentaram sequestrar minha irmã. há vinte dias marcaram com tinta o vidro do meu carro. semana passada foi um amigo baleado por coisa parecida em belo horizonte. e se a vida pode mesmo mudar de um segundo para outro, e muda, amanhã, por muito menos, posso mesmo não escrever coisa qualquer.
domingo já virou madrugada de segunda-feira: 1h26 da matina. peço mesmo é que deus continue a proteger a todos. peço também para que ele agilize a vida e permita que todos possam viver em breve os sonhos que alimentam.
tenho desejos. e pressa, mais do que nunca. não quero morrer antes de me sentir completa ao lado de quem amo. se não puder ter uma vida inteira, uma noite, um dia que seja, preciso, antes de morrer. quero também família e amigos são e salvos. as horas parecem curtas. quero amar, amar muito. mas quanto tempo ainda nos resta? um carro, três dias, dois anos, uns moneys?

Um comentário:

Lucas disse...

olá! de blog novo?
gostei do novo visual. espero que tenha sucesso com ele.
;-)

beijos