sexta-feira, 15 de julho de 2005

frente única

O metrô zune pelo trilho rumo Boa Vista. Na lembrança a pele tenra avista a vista da menina. Amo. E nada posso contra isso. Nada quero contra isso, essa é a verdade incontestável dentro de mim.
Olho pro lado, gente. Nenhuma delas representa algo. Nenhuma familiaridade. Pára o trem. Apita. Abre a porta. Sai gente, entra gente. Apita. Fecha a porta. À minha frente uma calça unida a uma frente única. Dois seios desconhecidos quase a pular para fora. Dos trilhos. Quanta vulgaridade, Deus meu, nesse país de samba, futebol e carnaval.
De boquinha em boquinha a garrafa nunca quebra? Requebra. O corpo da moça enverga feito alça francesa. Não há paredes, nem prateleiras. O peito levanta vôo.
De perfil o bico salta, a elegância gira e não sei quem pira nessa gratuidade toda.
Uma tosse e mais dois agitos. "Não respire, por favor", é o que penso. A lotação do transporte evita qualquer mudança, alteração de lugar. Eu, sentada. E a moça, à minha frente numa tentativa constante (mas infeliz) de ler o que não mostro. Evidente desconforto. O meu.
A Sé despacha milhões, e ela, correnteza abaixo. Melhor assim, na próxima eu desço.
E os 15 minutos diários nesse trem sempre traz o inusitado. Leva pessoas - e a vida.

Um comentário:

papagaio sabiá disse...

ahuahuahuahauhau. só você!!!